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Os pequenos corruptos
Os pequenos corruptos

EditorialEdição 61521/06/2017

O Brasil passa por um momento em que o que mais se discute é a ética político-administrativa. Para os brasileiros, políticos são ladrões e pronto. Isso não é novo: político ser visto como ladrão é coisa antiga, muito antes de Ademar de Barros ou Paulo Maluf, notórios políticos que governaram São Paulo há décadas receberem os títulos de homens “que roubavam, mas faziam”. Alguém já disse que todos somos um pouco, pelo menos um pouco, corruptos. Na verdade, poucos de nós sobreviveríamos a uma auditoria séria em nossas vidas, desde o nascimento, a não ser que corrompêssemos os auditores. Na semana passada, o Itajubá Notícias trouxe a entrevista de um dos procuradores jurídicos do município que revelou que pessoas chegaram a anunciar através do facebook a venda de leite conseguido de graça, por meio dos programas sociais da Prefeitura itajubense. A distribuição gratuita de leite é destinada a prover a alimentação de crianças cujas famílias não têm condições de adquirir esse produto tão simples, um dos mais baratos do mercado da alimentação. Mesmo assim, há quem se corrompa obtendo o leite de graça, que poderia servir a outras crianças carentes, e o venda a terceiros, também corruptos porque os adquire por preço vil para utilizá-lo ou revendê-lo com algum lucro, chegando ao ponto descarado de utilizar as redes sociais para anunciar o seu “produto”. O caso não é único, nem mesmo se limita a questão do leite. Há casos e casos de pessoas que recebem cestas básicas, materiais de construção e toda a sorte de bens através por meio dos programas sociais dos municípios, do Estado ou do Governo Federal, e os usa como mercadorias, revendendo-os a lojistas ou pessoas físicas que aproveitam-se para adquirí-los mais baratos. São os pequenos corruptos brasileiros, que devem existir na maior parte do mundo, sem dúvida. Mas são parte de uma sociedade que vai às ruas com faixas exigindo punição aos políticos corruptos ou acusados de algum ato ilícito, como se fossem vestais da honestidade.


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